segunda-feira, 13 de dezembro de 2010


E se nada encaixar? e se toda essa intensidade e espaço que tem aqui dentro, nunca for aliviada pelo maior colo do mundo? e se essa minha loucura nunca for entendida por nenhum ser falante? e se de repente o que sobrar seja só uma alma, que de tão grande acabou no lixo? e se quanto mais eu procurar, mais distante eu ficar de tudo que me compõe e do que eu acredito? e se esse medo maluco nunca passar? e se essa pessoa aqui dentro nunca parar de gritar nas horas mais impróprias? e se e não houver mais se? o que que a gente faz?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

E volta, sempre. Com o jeito maluco, com a conversa boa, com aquele jeito de menino revoltado. E por mais que eu consiga sair por ai me distraindo, é você que sempre acaba arrancando toda a atenção. Quando eu acho que é possível te esquecer, você surge calado falando com a presença, a qual ainda me deixa estática. Então me diz o que é isso? me explica que poder é esse sobre mim, que depois de anos ainda não acabou?. Usando as palavras certas pra me fascinar, eu acabo sempre me entregando pro que você nem oferece.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O que eu nunca vou saber é porque faço tudo isso comigo só porque tenho tanto pavor do tédio. Era só isso o que eu precisava saber.


Tati Bernardi falando por mim, quando a voz de dentro parece ter preguiça de se expressar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010


Eu to cansada de cada vez que eu vou embora, ver você se tornando os trechos tristes de um papel em branco. Eu queria que o que rendesse no final do dia, fosse uma lembraça sem culpas e arrependimentos. Eu to exausta de ignorar tudo o que grita aqui dentro, deixando que os meus desejos repentinos os camuflem sem respeito algum. Mas quando o mesmo coração que grita é o mesmo que pede um pouco de atenção, o que que a gente faz?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O que eu sinto, é que você pode até não bater na minha porta toda vez que passa, mas a verdade é que as pedrinhas na minha janela, insistem frequentemente pra eu não deixar meu coração esquecer da gente. E enquanto você anda pelo lado de fora se distraindo feito criança, eu fico do lado de dentro me guardando pra coisa mais incerta que eu conheço. O tempo tem me custado caro demais, e eu não quero parar pra sentir esse peso. Amar sempre tão intensamente, me arrancou algumas chances, verdade. E hoje ao contrário do que me diziam, eu não acho nada do que passa, descartável. Amores vão ser sempre amáveis, e por isso se chama amor. Não existe passado pra quem ama com a vida dentro de si. Mergulhar nesse mar de contradições, sempre foi meu refúgio pra encontrar minhas certezas.

sábado, 13 de novembro de 2010

"Não, não fuja não. Finja que agora eu era o seu brinquedo." Chico Buarque

sexta-feira, 5 de novembro de 2010


A verdade, é que eu nunca vou deixar de me colocar no lugar das pessoas. E isso pode ter muito de bonito na primeira impressão, mas confesso que na prática é uma merda sem tamanho. E se torna a merda do ano, quando você se vê cada vez mais presa, a essa mesma merda. Eu sei que isso ta parecendo mais uma mensagem sublinar, e é quase isso mesmo. Porque a partir do momento que a gente se expõe demais, tudo parece ser mais real do que já é. E desculpa, mas se viver com algumas mentiras em volta, pra se autocriticar um pouco menos for caro, eu pago.
Então eu peço de pé junto, com toda fé que ainda me resta, que Deus, por favor, não faz o tempo apagar o sentimento horrível que tudo isso me faz sentir, depois de eu achar que nem é tão horrível assim. Não me deixa esquecer, que é da natureza humana enfeitar as coisas, mas que tudo não passa da crueza que se é. Me lembra, que não é por eu ser extremista, que eu preciso chegar ao ponto mais perto da minha própria queda. Porque amar pode até ocupa a cabeça e o coração, mas em alguns casos ela tem um peso imensurável, onde a intensidade não é a única culpada.

The time to hesitate is through
No time to wallow in the mire.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010


Só queria que alguém me amasse pelo que eu escrevo - Caio F. Abreu

quarta-feira, 27 de outubro de 2010


O passado mais próximo vira presente, os futuros são tão promissores quanto não foram um dia. Dizem que decepção não mata, pode ser, mas que ela arranca pedaços vitais, eu tenho certeza. Agir com o coração, não nos deixa ser de mentira, e é ai que mora o maior erro, pelo menos pra quem quis com a vida a ser de verdade. Ser exceção nem sempre é felicidade, meu amor.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010




"E quando ele riu, eu percebi. Eu percebi que eu estava na merda."

Porque mesmo não querendo mais, eu sempre me pego com uma saudade irracional de você, da gente, dos restícios, que sempre ganharam vida demais aqui dentro.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010


Eu sei que ia ser mais sensato falar tudo te olhando, mas eu não tenho esse estômago definitivamente. Por me conheceres mais do que eu queria, talvez eu deixasse escapar coisas secretas demais. E apesar de ser o meu maior desejo nesse instante, eu sei que no fim eu só ia sair desse buraco pra um maior ainda. Mas eu queria te dizer que tudo isso, foi longe demais, e se tornou assim, no momento em que eu menti pra mim, achando que tudo não passava de pura tolice. E eu, sempre muito intensa, não me dei conta de que o menor de mim era o teu maior pra oferecer. Não te culpo, juro que não. O fato de agires assim importa, mas eu não questiono por medo da resposta. Talvez porque eu me sinta um passa tempo qualquer, uma válvula de escape, que quando a rotina se torna tediosa demais, te salva por segundos. Segundos esses que, saciados não passam de passado, e viram saudade depois de meses. Confesso que aprendi na marra a ter o mínimo de orgulho, mas nada disso tem adiantado pra mandar você ir embora de vez. Perdi alguns anos, mas ganhei um coração imenso demais, sincero demais, bobo demais.
E agora, eu não vou, mas também não fico, e assim eu insisto no que eu sempre rejeitei: na mornidão das coisas. Equilíbrio nunca serviu de conforto pra mim.
Continuo achando...

terça-feira, 5 de outubro de 2010



E dizem que o tempo cura. Talvez, pra algumas pessoas, não pra mim.
O tempo ainda pode me distrair com seus ventos fortes, e deslocar algumas coisas do centro. Mas curar? não, não mesmo. E quando eu estou pronta pra crer nessa teoria, lá vem a poeira escondida, me lembrando que lá esta ela, mesmo que quietinha. Não quero, e não vou especificar fatos e pessoas, mas quando se escreve nunca é pro além, quem dirá para as generalidades dessa mesma vida. Eu queria poder viver naquelas épocas, em que a gente escrevia cartas pra amores distantes, e que mesmo que elas não fossem respondidas a gente sabia que não iria parar em lixos eletrônicos. As coisas eram mais palpáveis, as pessoas eram um pouco menos frias e automáticas. Mas dai vem o tempo, ah o tempo. Ele vem e desmorona algumas preciosidades, sem que a gente perceba. Porque esse mesmo tempo, tem o poder de nos camuflar com coisas novas, fazendo a gente não sentir o quando dói a perda de um velho tempo. Parar de escrever as cartas, mesmo que imóveis, vai doer igual.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Não poderia ser diferente, eu sei. A falta de demonstração da minha parte, deixou você comodo demais, e agora não faz sentido algum pedir alguma coisa.
Ainda me pergunto se todo esse aperto é aquele amor, ou é só a minha inferioridade gritando mais uma vez, quando o mundo inteiro parece ser muito melhor. E foda-se se junto com ela, a minha futilidade mostrou a cara. Fazer-me de pura e sensata agora, não me parece ser o melhor.
Então eu continuo me esntregando inteira pro pouco que você oferece. E essa meia reciprocidade vai criando buracos fundos demais pra você tapar.
Olhar pra tudo que eu me submeti esse tempo todo, me da nojo. E embora eu sempre saiba que os meus problemas nunca tiveram nada de muito concreto, hoje você abriu a porta pra primeira exceção. E o pior não é isso, é saber que quem deixou a porta entre aberta, foi alguém que ainda não sabia os perigos e a chance de sobreviver a beira do abismo.
Você nem combina com o tom da minha poesia, mas mesmo assim eu insisto calada e cega. Confesso que é meio tarde pra perceber a merda toda, mas nesse caso, não foi perceber que doeu mais. Foi saber que desde o início, eu pisava sabendo muito bem onde. E não foi teimosia não, foi só a burrice e ingenuidade, a qual eu sempre pensei estar ilesa. Quanta arrogância.
Com muita proesa, você conseguiu o mais pobre de mim.
Pena que sumir, ainda não é remédio pra ninguém. E enquanto isso não passa, eu fico me torturando a cada passo que você da sem mim.
Andar vivendo pra fora, tem me assustado um pouco, e ter a realidade nas mãos, pesa mais do que sonhos desfeitos.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010


Você se tornou o desafio perfeito e, confesso, sua embalagem prometia muito mais do que o produto realmente é. Acho muito cansativo ser responsável por tudo, então eu desisto de tentar te fazer humano. Pode seguir com sua falta de falta de vida, cheio de pose e frases prontas.

Não vou passar dias te observando só porque você é lindo calado, não vou deixar você me cercar a noite toda e depois ir embora só porque dessa vez eu não devolvi o olhar e você ficou sem saber o que fazer. Você não sabe conversar e eu sou um poço infinito de palavras, jogadas na sua cara, mostrando que a falta de conteúdo pode sim te afetar. Era muito fácil com aquelas garotas, eu sei. Um pouco de álcool, o que você faz da vida, vamos fugir de todo mundo. Mas e alguém de corpo e alma? Aí você desiste, porque no dia seguinte não tem mais o que falar.

No fundo eu sou de mentira, assim como você. E não é uma identidade que nos tornará real. Falta em você algum brilho, alguma individualidade, algo que te faça especial. Em mim esse brilho sobra e eu saio por aí espalhando, como se fosse bonito se perder em todo mundo só porque meu corpo não é suficiente pra me abrigar. E nós seguimos sendo nada, sendo só rosto marcante e nome fictício, enquanto você não descobre que eu leio sua insegurança e me disponho a curá-la e eu tenho preguiça de dizer.



V.H

terça-feira, 14 de setembro de 2010


Digamos que naquele momento você ocupou o lugar que eu menos queria; a minha cabeça. Usar o mínimo de razão naquele instante me parecia algo mais útil do que meu coração burro. E eu usei, eu abusei de toda a racionalidade que eu não aproveitei melhor nesses anos todos. E de repente você fazer parte daquele lugar mais frio se tornou melhor de verdade. Reencontrar princípios faz isso com a gente. E quando se percebe, algumas coisas aqui dentro crescem em silêncio, gritando nas horas mais oportunas. E as vezes até salva.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010


Acho que eu me segurei tempo suficiente pra isso. Pra tentar, ou mesmo ignorar tua ida pra Londres, mesmo que isso me cutuque todos os dias. Não porque fosse ruim, pelo contrário- a gente passou por surtos de sumiços(concretos) muitas vezes, e agora uma parte minha, a mais livre delas, tá indo contigo na bagagem. Mas é estranho e assustador saber, que por 6 mêses não vou te ter lá em casa todo final de semana, seja pra se enfiar embaixo das cobertas, seja pra se arrumar juntas e chegar atrasadas na festa do dia. É maluco pensar que não vai ter ninguém no meu pé pedindo pra eu tirar meu celular do silêncioso e atender de uma vez. Vai ser agoniante passar a tarde no centro sem poder ir na tua casa ficar vendo vídeos engraçados e jogando conversa "fora". Minhas nights não vão ter o mesmo gosto, sem aquela nossa teoria pós- balada que a gente só consegue se for juntas, com os pés doento, comendo pão com margarina e coca-cola. Vou morrer de saudade daquela voz babaca que tu faz pra conseguir as coisas de mim mais fácil do que a bruna quando ta faminta. Sei lá, não te ver toda semana, ou relatar como foi meu dia e em que mundo eu fui parar no mesmo, vai ser diferente. Tua família virou minha e vice-versa, nossos pais formam um quarteto incrível, e as jantinhas também vão fazer uma falta e tanto. Afinal de contas, pra quem eu vou ligar chorando que nem criança e ser acalmada com a voz e as palavras mais doces desse mundo? Ou ser chamada de pretinha quando tudo o que eu me sinto é invisível? É et, não vai ser nada fácil, mas eu to feliz de verdade por ti. Pelo teu sonho sendo realizado mesmo que insegura, por tudo que mereces diante de tudo.
Que seja a viagem dos teus sonhos, que conheças os lugares mais mágicos e as pessoas mais encantadoras. Que não sejas pega pela fiscalização(qualquer coisa se esconde em um armário), que arrumes um emprego de baby-sitter, ou se conseguires podes tomar conta de cachorros e fazer passeios nos bairros mais nobres? hahaha....
Não esfria? não, eu sei. Mas é só um pedido de alguém que te ama e te admira muito do jeito mais iluminado que podes ser. Assim.
De um modo ou de outro, nessa vida ou não, aqui ou em outro país, és meu maior e melhor abrigo em qualquer mundo.






Do umbigo, sempre.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010


Cadê o botaozinho de diminuir?
Diminuir tanta intensidade e ainda juntar os pedaços que caíram no chão quando eu explodo de uma vez só?
Porque só dessa vez, eu não gosto de um jeito leve e saudável? Porque eu sempre tenho que gostar além da conta, sempre além do que eu posso, sempre além de mim? Tudo bem, que eu devo fazer parte do exército que sofrem de amores proibidos, mas se isso um dia aliviou de algum jeito, hoje só serve pra sentir um mundo ainda mais pesado nas minhas mãos. Menos por favor. Que seja pra ser fria e racional nos próximos 10 segundos, menos só por hoje Deus.

sábado, 4 de setembro de 2010


Pronto, acabo de chegar na estação dos revoltados. Esses pobres coitados, que acham que mudar de casa mudam o mundo. Mas eu to aqui de novo, do mesmo jeito, talvez um pouco mais decidida a não voltar atrás. Concretizando ideias pra que elas não fujam no primeiro momento oportuno. Chega de bancar qualquer coisa que eu não sei ser?

Que esse frio absurdo que faz lá fora, esfrie os excessos aqui de dentro. Que toda essa fantasia que me faz feliz de algum modo, se transforme em uma felicidade real e divina. Porque a verdade, é que eu não suporto esses pseudo amores, essa gente que se contenta com pouco só pra preencher lugares sem nomes, todo esse mundo colorido que na primeira chuva mostra monstros jamais vistos.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Não te amo mais, queria dizer a ele, pela primeira vez, sem esperar que ele sofresse com isso. Sempre quis que ele sofresse com o dia em que eu não o amasse mais. Mas justamente porque eu não o amo mais, nem quero mais que ele sofra. Aliás, não quero mais nada. Só ir embora.
Eu só queria ir embora. Então, por que eu simplesmente não ia embora? Por que eu continuava obedecendo os comandos do meu ex-dono, sendo que ele não é mais dono nem do meu dedinho do pé que tem a unha mais curta?
Claro que sobrou um carinho, uma amizade, uma graça. O mesmo que tenho pelo resto da humanidade que julgo digno de alguns minutos do meu tempo. Mas tudo aquilo, meu Deus, tudo aquilo que era maior do que eu mesma, maior do que o mundo, que me soterrava, que me transportava pra outra realidade, que fazia meu corpo inteiro doer tanto de tanto sangue inchado que passava por ele, tudo aquilo, nossa, acabou. Já era. Então, por quê? Porque eu não dizia simplesmente que tinha ido lá rapidinho pra saber como estavam as coisas, coisas que amigos fazem, e vazava? Por que raios eu não ia embora?
Quero namorar esse homem? Não. Quero casar, ter filhos, envelhecer ao lado dele? Não mais. Nunca mais. Quero transar com ele, ainda que daquele jeito errado em que minha solidão procura um abraço e a solidão dele procura uma sacanagem? Não. Nem a pau. Quero reviver uma memória pra me sentir viva, emprestar uma alegria pura do passado? Não, tô fora de continuar sempre no mesmo lugar, me roubando minhas próprias histórias.
Quero lamentar a falta de um beijo inteiro, um abraço de verdade, um carinho sem medo e uma atenção entregue sem nenhum egoísmo? Não. Não quero mais mudar ou fantasiar ninguém. Deixa o mundo ser como é. Deixa ele ser como ele é.
O que eu queria, que era jogar uma conversa fora com uma pessoa que me conhece tão bem e que eu conheço tão bem e essas coisas, eu já tinha conseguido. Matar o tempo, rir da alma. E só. Coisa de no máximo uma hora, ou duas se eu pudesse beber vinho. Eu já podia ir embora. Mas não conseguia. Por quê?
Quando ele finalmente parou de falar e querer coisas como uma criança de cinco anos que ta pouco se lixando se você tem ou não como lhe dar aquelas coisas e se lhe dar aquelas coisas vai ou não complicar sua vida, o silêncio me contou um segredo que há muito tempo eu já desconfiava: a mente é burra.
Minha mente é burra. Quando minha mãe grita, mesmo ela sendo uma fofa e eu tendo o dobro do tamanho dela, sinto um medo absurdo, como se eu ainda fosse aquele menininha de maria-chiquinha. É o sininho do Pavlov, que fazia o cachorro babar por comida mesmo que não estivesse mais com fome. A mente é automática, viciada, comandada, acostumada, burra. E de novo sinto um medo filho da puta.
E é por isso que quando ele, a pessoa que eu mais amei no mundo pois amei sem os bloqueios e sem a amargura que veio depois de tanto amor, me pede pra ficar, eu fico. Se alguma química idiota do meu cérebro obedeceu aquela voz por anos, por que haveria de parar de obedecer agora só porque o resto todo do corpo já não sente mais nada?
Mas ontem, quando finalmente peguei minha bolsa e fui embora e senti um alivio imenso de sair dali, eu combinei com a minha mente que ela não manda mais porra nenhuma. Chega de ser comandada pela parte mais “xucra” e sem alma da minha existência. Chega.
Quem manda aqui é o mesmo peito que me jogou pra fora daquela casa e daquela situação que sempre só me fez tanto mal e só me levou coisas tão bonitas.
Não quero mais as minhas repetições seguras e infelizes. Ainda que encarar um coração vazio seja mais assustador do que mãe brava, cidades estranhas e amores eternos que acabam.

Tati Bernardi

quarta-feira, 1 de setembro de 2010


"Quem não é visto não é lembrado"?
Acho que depois de anos ando conseguindo por essa teoria em prática, da melhor forma que ela oferece. Então aproveita o caminho e some com todas as frustrações, neuras e qualquer bagagem que tenha esse seu gosto de mistério por fora, só porque por dentro você se iguala ao mundo inteiro. E tenta sumir no mínimo, pelo mesmo tempo que você existiu pra mim?
Não falo mais com portas, prometo.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Decided i'm wasting time on mind games with you

You can play the part, and run away
I will be the fool, who gets to play
Cause i have a heart, getting in the way
Gets to play the fool another day

domingo, 22 de agosto de 2010


'' Quanto a mim, o amor passou. Eu só lhe peço pra que não faça como gente vulgar,e não me volte a cara quando passar por ti e nem tenha de mim uma recordação que entre o rancor ficamos um perante o outro como dois conhecidos desde a infancia que se amaram um pouco quando meninos embora na vida adulta sigam outras afeições, conserva no escaninho da alma a memória de seu amor antigo e inútil. ''

Fernando Pessoa

terça-feira, 17 de agosto de 2010


Apesar de eu ter um coração muito maior do que um cérebro, ele deve ser lembrado a cada momento, quando um mundo de ilusões bate na porta. Eu deixo entrar, eu sempre deixei. E assim eu erro uma vida inteira. Comigo, por mim.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Eu escrevo com a esperança que o que eu escreva altere pessoas e coisas. Eu escrevo pra livrar os demônios, pra chamar Deus, pra concretizar alguém, seja esse alguém eu ou o mundo inteiro. Eu escrevo pra inventar ou pra vomitar realidade. Eu escrevo com o gosto do amor e da loucura, em uma medida nem sempre exata. Eu escrevo pra chorar em silêncio, pra gritar sem acordar a casa. Eu escrevo em terceira pessoa, quando ser só eu não me cabe mais. Eu escrevo pra me salvar dos becos, dos meus e do mundo. As palavra tem efeito de morfina sobre mim.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010


Foram anos escrevendo por metáforas, anos querendo dar nome à coisas, anos tentando de algum modo deixar tudo mais bonito e palpável. Mas a vida é feito água que escorre entre dedos, e não, eu não vou deixar de espalhar a doçura que essas palavras trazem, mesmo que escondidas. Porque o visível não passa de uma aparência que logo se apaga com tempo. Eu tenho um punhado de coisas não ditas, mas é só porque certas coisas não valem a pena ser verbalizadas fora de nós. E quando o refúgio branco me invade, não há mão que resista, não há palavra que se indague, não há dor que sobreviva. E você querido, você foi o dedo na garganta, o único homem que de tanto eu querer, acabou sendo a ânsia pra tantas coisas mais bonitas.

segunda-feira, 26 de julho de 2010


Se sentir bastasse, eu estaria me afogando nesse momento. Mas não basta amor, nunca bastou. Eu tenho essa válvula de escape chamada "escrever", que me salva desse medo maluco que da de mim , do mundo e de tudo que há nele. Esse medo não mata, mas ele lateja enquanto você bebe pelos bares da cidade. Enquanto eu vivo esse amor unilateral, a vida lá fora me chama querendo dividir isso comigo. Mas tudo bem, eu quase nunca gosto do que gosta de mim, e eu nem devo ser tão estranha assim. Essa mesma vida que me chama, também sofre, e isso alivia não é?. Tudo em mim dorme, acalma, mas nunca vai embora de vez.
Amar muito me fez maior, mas eu não tenho com o que preencher tanto espaço.

sábado, 24 de julho de 2010


Can't Hold Us Down

So what am I not supposed to have an opinion
Should I be quiet just because I'm a woman
Call me a bitch cause I speak what's on my mind
Guess it's easier for you to swallow if I sat and smiled

When a female fires back
Suddenly big talker don't know how to act
So he does what any little boy will do
Making up a few false rumors or two

That for sure is not a man to me
Slanderin' names for popularity
It's sad you only get your fame through controversy

So what am I not supposed to say what I'm saying

Are you offended by the message I'm bringing
Call me whatever cos your words don't mean a thing
Guess you ain't even a man enough to handle what I sing



domingo, 18 de julho de 2010


Desculpa por tanta sede. Desculpa não conseguir me doar sem a alma inteira junto. Desculpa não suportar romantismo, mas querer o máximo de aconchego nesses abraços tão instantâneos. Eu sei que não tem cabimento possível atrás de toda essa cortina. Eu não queria, mas eu sei que não se acha amor onde só se enxerga o que todo mundo vê. Eu arrumei minhas malas, mas ainda não suportei a ideia de entrar em um trêm qualquer.

quarta-feira, 14 de julho de 2010


(...)Eu estou tão cansada de assustar as pessoas. E de entregar tanta alma de bandeja pra tanta gente que não quer ou não sabe querer. Mas hoje eu não odeio nenhuma dessas pessoas. E hoje eu não me odeio. Hoje eu só fecho os olhos e lembro de você me pedindo sem graça para eu não deixar ninguém ocupar o lugar da minha canga. Tudo o que eu mais queria, por trás de todos esses meus textos tão modernos, sarcásticos e malandros, era de alguém que me pedisse para guardar o lugar. Tá guardado. O da canga e de todo o resto.
t.b

terça-feira, 13 de julho de 2010


Estranho desocupar uma casa. Estranho fazer mudanças, quando o que muda são só algumas peças. Você foi embora com todo caminhão de sentimentos que provocava em mim. E se eu deixo no ar tom de exagero, é só pra igualar o tanto de amor que eu usei por anos sozinha.

segunda-feira, 5 de julho de 2010




O que mais me assusta, é que quando a vida começa a ser só aqui dentro, eu digo pra mim mesma que quando tudo passar, eu vou esquecer dos problemas concretos e minúsculos que eu tenho em forma de gente. Porque lá no fundo eu devo ser. Mas quando a maré de dentro acalma e eu começo a sentir o vento, eu sinto também que aqui fora as coisas também tem um peso enorme. E dai o que se faz? Dentro ou fora?

sexta-feira, 2 de julho de 2010


Você não passa de um cacoete que eu carrego sozinha há tanto tempo. E pode ser loucura da minha cabeça, mas por ter tanto espaço aqui dentro, acabei inventando um amor só pra deixar certos lugares com o mínimo de eco possível. Eu sei que não adianta muito, que alguns cantos continuam gritando, mas é mais fácil e leve do que todos ao mesmo tempo. E é realmente engraçado como a gente bagunça com tudo aqui dentro. Ninguém quer ser enganado, mas na hora de por os pés no chão, a gente olha logo pra primeira corda que sobrevoa nossas cabeças, mesmo ela sendo fraca e superficial. Depois que a gente se acostuma a não sentir mais essa superfície umida e fria, a gente acaba se esquecendo que ela, apesar de feia é a única coisa que pode nos dar um pouco de verdade. E agora quando me pergutam se é disso que eu quero viver, eu olho pra cima e nao vejo mais corda nenhuma. É o mundo me medindo pra descer?



quinta-feira, 1 de julho de 2010


Mais uma de tantas...



Porque ninguém se mantém interessante ou mágico. Mas a gente espera, lá no fundo, perdido, soterrado e cansado, que a vida compense de alguma maneira. E a gente ganha dinheiro, compra roupa, aprende novas piadas, passa protetor labial. Só pra que a vida compense em algum momento. Só pra ganhar a coceguinha no coração. Coração burro, tadinho. Que preguiça desse coração burro. E a pessoinha mortal e cheia de motivinhos legais pra ser feliz segue aprisionada por essa falta de alma. E minhas coisas vão se acumulando. E não há nada que eu possa fazer sem minha alma. A agenda vagabunda me espera, com datas, esperanças e meios de ganhar dinheiro. E eu sequer consigo virar a primeira página. E milhões de livros ganham silêncio. E músicas novas perdem meus buracos. E garotos falsos cognatos perdem meus buracos. E eu estou no escuro, com uma leve impressão de que preciso voltar para a vida, porque a vida está acumulando e depois eu não vou dar mais conta de ser eu. Mas que preguiça de ser esse eu aí. Esse ser cheio de vontades, certezas e vidas na ponta da caneta. Eu me espero como uma boneca murcha, ensacada pela minha falta de alma. E meu creme para celulite da Nivea me espera, pela metade. E minha touca com flores vermelhas me espera, pendurada no registro. Meu porteiro fala “resisto” e também espera que eu volte. Eu e minhas imitações de porteiro. A papelada toda de coisas que eu sonhei e de sonhos que me empurraram, adivinhem? Também me esperam. E essas coisas que vou conseguir, essas coisas que eu vou abandonar de vez e até essas coisas que eu nem sei que ainda preciso. Tudo isso aguarda por mim. A casa tá quietinha coitada, nem a geladeira estrala mais aquele tanto. Estão todos querendo que eu volte, mas ninguém vai me encher, ninguém vai me apressar. Alma não é sonâmbula, nem metade, nem sombra. Por isso mesmo que às vezes demora tanto.

Tati Bernardi- Enquanto ela não vem...



terça-feira, 22 de junho de 2010

Dormir com fome dói. Dormir com fome de não se sabe do que, dói mais ainda.

Mesmo eles não tendo controle total das sensações, seria mais fácil protege-los de uma fulga infinita. Mas lá vão eles, feito cavalos selvagens correndo de pressa pra um mundo livres de definições. E o desejo de querer congela-los e guardar em gavetas divididas nunca vai passar de puro desejo. Ser vulnerável pode nos livras de uma rotina de nós mesmos, mas também nos engana com seus labirintos sem fim. Pensar, acaba sendo isso. E logo logo a gente inventa um ponto de chegada pra nos convencer de que pelo menos alguma coisa achou o seu lugar.

segunda-feira, 21 de junho de 2010


Parece cocaína mas é só tristeza, talvez tua cidade.
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão
E o descompasso e o desperdício herdeiros são
agora da virtude que perdemos.
Há tempos tive um sonho
Não me lembro, não me lembro.
Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso.
Os sonhos vêm e os sonhos vão
O resto é imperfeito.
Disseste que se tua voz tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira.
E há tempos nem os santos têm ao certo
A medida da maldade
E há tempos são os jovens que adoecem
E há tempos o encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
Só o acaso estende os braços
A quem procura abrigo e proteção.
Meu amor, disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem
Ela disse: Lá em casa tem um poço mas a água é muito limpa.

Legião

segunda-feira, 14 de junho de 2010


E eu sou bem esquisita mas definitivamente não sou besta. E apesar de viver dizendo que não, gosto pacas de mim quando consigo. Quem tem a coisa estranha, tem a coisa estranha sempre, a diferença é que quando estamos ou queremos estar bem, viver distrai. E pra mim, aprendi recentemente, viver é exatamente isso: se distrair do medo que dá pensar em viver.

T.B

sexta-feira, 21 de maio de 2010


Eu quero aceitar minha liberdade sem pensar o que muitos acham:que existir é coisa de doido, caso de loucura. Porque parece. Existir não é lógico.

(A hora das estrelas- C.L)

quarta-feira, 19 de maio de 2010


Até onde precisa-se suportar? até que ponto só o coração batendo já não responde por vida?


"Fechei os olhos, aguardando que a estranheza passasse, aguardando que meu arfar não fosse mais o daquele gemido que eu ouvira"

( A Paixão Segundo G.H.)


terça-feira, 18 de maio de 2010

Toda mulher tem um pouco de puta, de criança, de maluca. Toda mulher tem um pouco.
Falo por mim porque vivi pouco tempo para fazer afirmações maiores.
Falo por mim porque estou egoistamente presa na minha própria descoberta e existência.
Mas pelo que tenho visto por aí, toda mulher tem um pouco de tudo. E como é difícil ser feliz com tantos poucos para agradar. Fora os milhares de hormônios que tornam cada um desses poucos mais do que dá para aguentar.
E a cada suspiro, meus poucos se atrapalham: estou feliz ou com medo? Estou cansada ou excitada? Estou carente ou encantada? Estou fria ou fugidia?
Numa única noite eu fui um pouco tudo, eu quis um pouco de tudo. Quando alguém vai acompanhar meu ritmo?
Eu quis que ninguém soubesse de tamanha traição. Depois quis gritar na janela como o proibido era sopro no meu coração.
Eu quis sentir o poder de abalar com a vida dele. Depois quis que ele voltasse direitinho pra casa e esquecesse que existe a fraqueza.
Eu quis ele por uma aventura, uma risada, uma distração. Depois quis o colo dele para sempre, mas fiquei com o meu pouco puta estampado na cara.
Como eu preciso ser amada meu Deus, pra parar de dar de bandeja o meu sorriso por aí. Eu tenho meu pouco criança estampado em cada linha que escrevo e em cada bobeira que falo na espera de atenção.
Maluca? Nas raras vezes que sou séria, me sinto tão maluca, que devo ser sempre maluca.
De pouco em pouco encho o papo de ansiedade. Quando o muito virá?
Eu nunca poderia ser feliz sem meu pouco trágica. Eu nunca posso estar satisfeita sem meu pouco idealista e eu nunca poderei ser mulher porque ainda falta pouco, muito pouco, mas eu sei que sempre faltará.
Me completo de poucos, mas sigo esperando demais de tudo. Comida para cada um desses poucos que são buracos na minha alma.Meu pouco criança sofre e se diverte com o meu pouco louca. Meu pouco adulta perdoa tudo porque tem total consciência do meu pouco criança.
Mas cada pouco espera o grande momento. A grande virada. O longo suspiro de paz.
Cada pouco espera o colo, o beijo silenciador de neuroses, o abraço aquecedor de angústias.
Cada pouca criatividade espera o salário digno, o carro novo, o cheiro de cada coisa minha conquistada, o sono de quem não deve um centavo a ninguém.
Corro no desespero desses dias, da vida que virá, dos sonhos realizados, da felicidade, do sorriso banguelo da pureza infinita de um ser gerado por mim. Da luz.
Meu pouco pessimista sabe que nada disso pode acontecer. Mas sigo com meu pouco otimista, aprendendo que ele a cada dia aumenta um pouco.
Quem em cada pouco põe tudo que é merece ser feliz. E muito.


Grande Tati Bernardi.

domingo, 16 de maio de 2010


Depois de um final de semana alternativo, trocando barulhos por silêncio, saltos por meias quentinhas,conversas banais por colo de mãe, eu consigo entender que as vezes é melhor olhar muita coisa pela janela. Eu tentei de verdade me camuflar com algumas coisas antes repugnadas, tentei ser menos isso e mais aquilo, tentei me desviar de princípios pra ver se encontrava outros mais favoráveis. Não achei. Continuo com o mesmo olhar estranho, com o mesmo coração pulsante, com a mesma cara diante de um reflexo abstrato demais.
E pode parecer triste as vezes, mas é a única realidade que eu aceito como minha nesse instante.

domingo, 9 de maio de 2010

Se eu pudesse me encolher até desaparecer aos olhos alheios seria mais prático, eu sei. Mas quem nunca teve que se rastejar a frente de uma situação, ainda não sabe que pode voar. Eu não nasci pra deduzir, não aprendi com a vida a ser um pouco oca mesmo ela me arrancando forças possíveis. Ser transparente não é sinônimo de entrega, mesmo que as vezes seja. A gente tem um preço meio alto a pagar, quando se deixa levar por algo que meio mundo ignora. Mas não pede pra mudar a única coisa em que eu acredito. E aproveita e me ensina a ser assim frio e calculista nesse momento, porque eu já chorei rios e não senti alívio algum. Você não tem culpa, eu não sou vítima, e isso não passa de meia linha. Quem entrou com a ponta dos pés e caiu nesse buraco lamaçento foi só alguém que pedia muito pra ser puxada. E quando a gente troca o nada por algo palpável, a gente até gosta, mas não sabe que gostar é um verbo do presente. Até a gente não se sentir muito suja e podre com toda essa lama, a gente continua se afeiçoando e moldando as coisas do jeito que ficar mais bonito. Depois do susto, depois do golpe que sai levando pedaços de alma, a gente ainda tem que ser mais inteira do que nunca. Quanta indiferença, quantas faltas trocadas. Trocando um pouco por pouco, daríamos alguém até sensato. Mas eu continuo com a minha intensidade maluca, e você com a ausência de tudo que eu encontro aqui. E de tanto sentir, começei a engolir falhas, que nem minhas são.
Pena que em questões de sentir e definir falhas e acertos, nossos mundos somem a poucas distâncias.




quinta-feira, 6 de maio de 2010

Acho que eu tenho precisado do erro pra me sentir viva. E que mesmo me sentindo meio suja, e por baixo, o proibido tem um peso menor do que o vazio.

segunda-feira, 3 de maio de 2010



Walk Away...


What do you do when you know something's bad for you

but you still can't let go?


I was naive, your love was like candy

Artificially sweet

I was deceived by the wrapping

Got caught in your web and I learned how to bleed

I was prey in your bed and devoured completely


And it hurts my soul cause I can't let go

All these walls are caving in

I can't stop my suffering

I hate to show that I lost control

Cause I, I keep going right back

To the one thing that I need

To walk away from
Não saber de si é viver. Saber mal de si é pensar. Saber de si, de repente, como neste momento lustral, é ter subitamente a noção da monada íntima, da palavra mágica da alma. Mas essa luz súbita cresta tudo, consume tudo. Deixa-nos nus até de nós.

(O livro do desassossego)

terça-feira, 20 de abril de 2010



Mas para não sentir dor eu vou jurar ao último ouvido do meu universo o quanto você é descartável. O quanto sua molecagem não permitiu nenhuma admiração de minha parte.
Para não sofrer não vou permitir minha cabeça no travesseiro antes do cansaço profundo e sem cérebro. Não vou permitir admirar coisas da natureza porque talvez eu me lembre de você ao ver algo bonito.
Não vou permitir silêncios porque é aí que o meu fundo transborda e a tristeza pode me tomar sem saída. Eu vou continuar deixando a minha cabeça me martelar porque toda essa confusão é ainda menos assustadora do que a calmaria da verdade.
A verdade é a frieza do mundo, é a podridão dos desejos, são as mentiras que a gente inventa para os outros e acaba acreditando. A verdade é que mais cedo ou mais tarde você será traído, porque todo mundo tem medo de viver a entrega. A verdade é que ninguém se entrega porque ninguém se tem. A verdade é que não estamos aqui, estamos em algum lugar seguro vivendo nossas vidas medíocres. A verdade é que todo esse perfume é vergonha de nossa essência, todas essas marcas são vergonha do nosso corpo, todo esse charme despretensioso é vergonha de nossas fraquezas. A verdade é que nada é inteiro porque até o inteiro para ser todo precisa ter seu lado vazio. A verdade é que não dá para fugir da dor, e eu continuo correndo, correndo, correndo e não saindo do mesmo lugar.


Tati Bernardi.

quarta-feira, 14 de abril de 2010


Exceções existem, e eu proucuro elas todas as manhãs meu bem. Não confunda a minha entrega, com os buracos que você entrou e entra. Se eu nasci pra dentro, foi só pra não assusustar o mundo com essa clareza toda. Ser transparente custou caro demais, e você deve saber.

Hoje o meu amor, por maior que seja, ainda esconde partes por ai.

E não é romantismo, nem complexidade, nem metáfora, nem nada. Sou só eu, mais uma vez tentando gritar no seu ouvido sem poder.

terça-feira, 13 de abril de 2010


Porque o que falta não é bondade de coração não. O que falta e sempre vai faltar é essa estabilidade, é essa gente paralítica de ação, é essa cadeira de roda que faz a gente acreditar que não conseguimos sozinhos e nem com meia dúzia de apoios. Mas se não der pra mudar o quarteirão que seja o cachorro sarnento que todo mundo ignora. Se não der pra ser a casa toda, que seja o abraço de mãe que ainda se tem. Se não for o mundo, que seja o mínimo dele. Só não se aconchega nessa maca, só não se deixa apodrecer, quando o que te sobra ai é o que ta faltando ali, do outro lado.
Cansei de conformismo baseado em conformismo.
Se levanta dessa merda enquanto o mundo te implora.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Não somos desse tempo, dessa época, desse mundo. Somos juntas por um motivo que ninguém sabe. Somos a definição de intensidade. A nossa paz, a nossa paz se encontrou.



Eu to exatamente na boca do mundo. Não, não tem nada de saboroso. E essa salíva com gosto de vazio me enfia cada vez mais pra dentro. Não adianta querer ser cuspida, nem vomitada, nem nada.
A gente tem que querer com o mundo, e o mundo me quer. Ele me engole cada vez mais, quando o que eu faço é só ser mais azeda. Mas o mundo me disse que o feio também pode ser bonito, que o azedo vira doce, e que ele ainda faz a gente gostar de ser a gente.

sexta-feira, 9 de abril de 2010


Você me olhou durante alguns minutos, e eu nada podia falar. Qualquer palavra cuspida seria por em risco o mínimo de orgulho que ainda me sobra. E no fundo era isso que você queria, me ver ali de mãos atadas.
Mas antes que tudo girasse pro seu lado, eu fui embora. Fui embora pra me encolher, pra chorar baixinho, pra você nunca escutar o que grita aqui dentro.
Banalidades a parte, amor passageiro, eu quero um pouco disso Deus.

terça-feira, 6 de abril de 2010


É um absurdo a gente converter sentimentos tão opostos, quando o que a gente mais tinha era convicção. E tudo desmorona mais uma vez. Você pede um abraço e diz qualquer palavra doce, e lá estou eu, me vendo mais uma vez no chão dos seus pés. E mesmo que a tempestade seja forte e quase impossível de suportar, você vem e me da o suspiro seguinte que eu precisava. Não meu amor, você nem faz ideia de que você, sem fazer idéia, é a coisa mais linda de se olhar. E eu gosto dessa coisa secreta, desse amor inventado, que só depende do brilho dos meus olhos.

sexta-feira, 2 de abril de 2010


"Só ele conheceu uma mulher corajosa que admitiu todos os medos, todas as neuroses,
todas as inseguranças, toda a parte feia e real que todo mundo quer esconder com chapinhas,
peitos falsos, bundas falsas, bebidas, poses, frases de efeito, saltos altos, maquiagem e
risadas altas. Ninguém nunca me viu tão nua e transparente como você, ninguém nunca soube
do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de
tanto amar, de não ser boa o suficiente.
Só ele viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade, meu prazer de verdade,
meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser bonita e inteligente.
Só para ele eu me desmontei inteira porque confiei que ele me amaria mesmo eu sendo
desfigurada, intensa e verdadeira, como um quadro do Picasso."
T.B

quinta-feira, 1 de abril de 2010


Olha, eu sei que durante a minha vida toda, ou grande parte dela, eu me doei para os outros de uma maneira maior do que eu podia. E isso nunca me fez mal não. Pra mim compartilhar sempre foi um pouco sinônimo de amor, e eu sempre amei, e muito. Parece ingenuidade, mas era uma realidade que eu gostava de acreditar. Se hoje eu me obriguei a ver as coisas mais de frente, e por que não mais feias, foi porque eu cansei de viver utopias.
Mas ainda me assusta a idéia de tudo ser tão frio, por mais envolvente que seja.
Ninguém nos obriga a tornar-se mulher, mas a vida exige isso a cada passo largo que as nossa pernas não alcançam. E agora lá vai ela, de novo, como um robô triste, que não aguenta a liberdade que tem.

segunda-feira, 29 de março de 2010


Não é questão de entender não. A questão sempre foi sentir, e isso nunca mudou.

Quando a vida real se torna muito menos palpável do que já era, só resta aceitar esse mundo abstrato mais uma vez?

Já disse que o que encomoda não é a intensidade maluca, mas a sensação estranha que por menor que seja, assuta o tempo todo. É essa coisa de se sentir longe, e de sentir tanto que acaba se tornando um fantasma pra si mesmo. É essa bolha que prende, e que quando ta prestes a estourar, me lembra que é tudo ilusão. O agora é sempre infinito, e a minha esperança não preenche esse espaço.

sexta-feira, 19 de março de 2010


Eu descobri um dia, que algumas belezas custam caro. Que ser sem medo, pode assustar os olhos do mundo. E depois eu fico pensando, se vale mesmo a pena pagar por tudo isso, se não seria melhor guardar esse susto só pro meu espelho.

domingo, 28 de fevereiro de 2010






"- Eu sempre fui fascinado pelo que as pessoas fazem para aguentar o dia,
o que realmente fazem para manter a sanidade, ou perdê-la, quando as luzes se apagam."

sábado, 20 de fevereiro de 2010


Eu sempre volto. Eu sempre volto pras coisas que eu deixei,
ou pras coisas que me deixaram. E foda-se se a maneira
certa, tenha que ser o meu jeito errado de ser. Se pro mundo, uma dúzia de palavras pode ter mil significado, vou
deixar explícito o único que faz sentido pra mim. Eu tenho uma liberdade estranha e metade dela não pode ser usada
porque a vida não engole qualquer vôo.
É feio se humilhar garota, mas pior é morrer de silêncio sufocante. Mas veja só, eu não quero mais
o homem que eu amava não,eu não quero mais esse fruto de amor, eu só quero a pessoa, o amigo, aquela alma que gritava comigo mesmo sem dizer. Hoje eu sei...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010


Eu não nasci pra essa parte do jogo, eu não nasci pra parte barata do amor. E se eu eu cheguei até essa mesma parte foi pra ver se eu sabia, ou fingia saber gostar do meu lado sem regras. Mas essa parte não existe em certos aspectos, e quando existe é só uma mulher suja entrando em cena. Minha liberdade tem limite, ela vem acompanhada de uma dignidade que as vezes eu queria matar.
O que é bom por cinco minutos, pode se tornar o inferno em uma semana. E eu não to aqui pra ser livre sozinha, por mais contraditório que isso possa parecer. Eu quero o máximo do que os outros podem me dar, sempre.E eu não desacredito assim fácil, de ninguém.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010


Ninguém se contenta com pouco, ninguém quer ser pouco, nem sentir pouco. Mas eu fico me perguntando se não é dessas medidas pequenas que eu ando precisando. Menos amor, menos amor, menos amor. E claro que se falando de mim, é daqui de dentro que o "muito" sai. Cansei de ser a máquina do amor, cansei de ver amores passando por mim, cansei de cuspir moedas pedindo o mínimo dele. Mas amor não se compra, amor não se implora e amor também não se vende.

sábado, 30 de janeiro de 2010



Ah meu bem, eu sou só mais uma filha do mundo falando sobre amores distantes.
E mesmo a distância sendo tão insignificante
na vida real, aqui dentro ela atravessa estradas eternas. Tem uma hora, que mesmo a gente não querendo
deixar o nosso jeito bonito pra trás, a gente tem que ser o espelho dos outros. Que agir de forma cruel e fria
pode trazer um reflexo por vezes cruel e frio. Só não me peçam pra eu ser esse reflexo por muito tempo, porque além
de eu não ser convicente em mentiras, meu coração fraco não aguentaria esse peso. Então já que esse tipo de dor
demora tanto pra ir embora, me ve um copo transbordando esperança pra que eu não desista assim fácil de ti, de mim, da gente.
Pelo menos hoje eu queria o arrepio que me fazes sentir, aqui dentro, aqui onde ninguém enxerga.